Espaço Cultural em Pinheiros desafia a lógica brasileira no apoio à arte e literatura

“Eu me misturei com meus personagens. Sou um pouco do Zé Batalha, o herói da minha Infância”, diz escritor sobre sua obra mais pessoal

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O Espaço Cultural Alberico Rodrigues desafia a lógica brasileira e mostra que é possível desenvolver e apoiar iniciativas culturais mesmo sem qualquer tipo de incentivo do Estado. A Casa atrai um grande e seleto público por meio de diferencial que é um contraponto aos grandes centros de cultura: procura valorizar obras, atividades e produções de riquíssima qualidade artística, sem que para isso o artista tenha que necessariamente possuir, previamente, grande projeção comercial. O local fica ao lado da tradicional Feira de Artes, Cultura e Lazer da Praça Benedito Calixto, um ponto de referência intelectual e cultural no bairro de Pinheiros que faz parte do calendário turístico de São Paulo.

“Isso reflete o ideal, a perseverança, dedicação e a vontade de presentear a cidade de São Paulo com uma casa de cultura”, explica o escritor e agente cultural Alberico Rodrigues, idealizador do espaço. Fundada em 1997, a Casa reúne um pequeno teatro para a realização de cursos e apresentações teatrais, livraria e sebo, biblioteca, galeria de arte, uma parede literária, espaço para shows musicais, cafeteria e lanchonete com praça de alimentação e de eventos, onde são realizadas exposições, saraus lítero-musicais, encontros de poetas, contos de mitologia, café filosófico, lançamentos de livros, oficinas de arte, cursos de extensão e palestras.

Segundo Alberico, a idealização do espaço aconteceu nos anos 70, quando era estudante na universidade Cambridge, na Inglaterra. “Aquele ambiente foi um berço para mim, onde se respira cultura e conhecimento. Isso não definiu o que eu queria fazer, mas serviu de impulso”, lembra ele. “Quando voltei para o Brasil, isso não foi da noite para o dia, foram anos de trabalho. Eu passei a dar muitas aulas, em universidade e empresas, antes tive uma escola de Inglês e fui juntando dinheiro. No fundo, eu sabia que um dia teria que vender tudo e concentrar isso na construção do centro cultural, que também passou a ser a minha residência. Hoje, eu faço realmente o que sonhei, o espaço ficou conhecido e toda a minha satisfação estendendo aos frequentadores”.

Uma vida à arte e literatura

Alberico Rodrigues é autor de sete livros, pela Editora Mentes Raras: “Zé Batalha – o herói da minha Infância”, de 2004, que ele define como o seu romance mais pessoal e demorou 31 anos para ser escrito; em 2006, ele emplaca “A Saga de um Baiano na Cidade de São Paulo”; lança, em 2008, “Banquete de Contos e Poesia”; em 2014, o romance histórico “O Povo de Canaã”; e em 2017, o “O Alfarabista e o Psicanalista”. Também, em 2008, o escritor adaptou o seu primeiro livro para o teatro, trazendo aos palcos a peça “A Evocação do Zé Batalha”, que periodicamente é apresentada no Teatro do espaço cultural. Entre os papeis que assume na atividade cultural, ele ainda é ator e diretor teatral.

E mais: como poucos, Alberico Rodrigues tem o privilégio de oferecer as suas obras em sua própria livraria, em meio a milhares de outros títulos, onde geralmente ele recebe os frequentadores, com a ajuda de uma equipe de funcionários, e aproveita para apresentar o espaço cultural, sentar para um café ou vinho com um e outro, formar rodas descontraídas de bate papo sobre literatura, cultura e arte, com direito a intervalos para autógrafos. Com uma agenda cheia, ele diz, com satisfação, que às vezes precisa diminuir o ritmo para descansar um pouco e dedicar-se ao seu maior prazer. “Paralelamente, sou escritor e preciso de tempo para escrever”, ressalta ele, sem em nenhum momento cogitar que isso seja uma segunda jornada de trabalho. “Eu tomei a liberdade de fazer a minha vida uma literatura”.

“Sou um pouco do Zé Batalha; o herói da minha Infância”

O livro “Zé Batalha – o herói da minha Infância”, classificado por Alberico Rodrigues como a sua obra mais pessoal e que mais marcou a sua carreira de escritor, foi publicado em 2004 e está na 6ª edição. O romance conta a história de um negro, filho de um fazendeiro europeu com uma escrava, que viveu no sul da Bahia, em uma floresta no final da escravidão; que, ao voltar à sociedade, descobre que estava livre. E se apaixona pela… (é preciso comprar o livro para saber o enredo e desfecho dessa trama emocionante). É uma obra que ajuda a formar o currículo afro-brasileiro. Como diz o escritor: “ele é o herói da Infância das pessoas interioranas e que vai, certamente, encantar as pessoas metropolitanas”.

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